A história do domínio de topo .pt é anterior à massificação do acesso à Internet em Portugal, mas mostra uma visão e aposta na criação da infraestrutura que viria a garantir a presença do país no ciberespaço. A delegação do .pt foi realizada pela IANA – Internet Assigned Numbers Authority a 30 de Junho de 1988, quando foi atribuída à FCCN (Fundação para a Computação Científica Nacional) a responsabilidade pela gestão, registo e manutenção de domínios sob o TLD (Top Level Domain) .pt, domínio de topo correspondente a Portugal.
Em 2013 foi criada formalmente a Associação DNS.PT, que sucedeu a FCCN neste papel, adotando um modelo de multistakeholder em que se assume como uma associação privada sem fins lucrativos, tendo como associados a Fundação para a Ciência e a Tecnologia, FCT - IP, Associação da Economia Digital (ACEPI) e ainda a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO).
Em 30 anos muito mudou na Internet e a DNS.pt assinalou isso mesmo esta semana com a conferência “A Internet é um lugar estranho”, para a qual convidou bloggers e influencers que hoje vivem sobretudo da Internet, mas também pessoas que não estão tão ligadas ao mundo do digital, confrontando ideias e experiências.
A Pipoca Mais Doce, A Maria Vaidosa, Clavel´s Kitchen, Nuno Markl, Justa Nobre e Pedro Boucherie Mendes foram os convidados para uma manhã de debate em tom bem disposto, mas onde passaram não só os benefícios da internet, mas também os problemas relacionados com o discurso de ódio, e até o excesso de tempo passado online.
Luisa Gueifão sublinhou o muito que a Internet mudou nos últimos 30 anos e a forma como transformou a vida de todos, mas lembrou ainda que continua a haver mais de 26% da população infoexcluída, que precisa de ser considerada nas estratégias educativas e de inclusão. “O .pt tem feito muitas coisas nesta área, temos trabalhado com jovens, mas também com os menos letrados, os excluídos”, afirma.
Para as empresas, e os empreendedores, a presidente da Associação DNS.pt lembrou que estar na Internet não é só estar nas redes sociais, mas que é preciso ter uma presença mais sólida, um site, um domínio, uma marca registada “para garantir que a presença é nossa e que ninguém usa o nosso nome em vão”.
“O .pt é a ligação com Portugal e portugalidade. Peço aos empreendedores de futuro para estarem em .pt, que é símbolo de confiança e inovação”, afirma, dirigindo-se a uma plateia que tinha também muitos alunos da Universidade Nova e de outras Universidades.
Ninguém sabe como vai ser o mundo daqui a 30 anos, nem como vai ser a internet, mas Luisa Gueifão defende que há duas coisas que é preciso fazer: ser humanistas e colocar as pessoas no centro e manter o ambiente como prioridade, ou não temos planeta para viver.
Renovação de marca que salienta o orgulho no .pt
A comemoração dos 30 anos do .pt foi um dos motes para o rebranding, que tem como objetivo a promoção e afirmação de Portugal e dos portugueses no mundo digital, e o arranque de um ciclo de dinamização da internet e da economia digital, uma meta sublinhada por Luisa Gueifão.
“Pretendemos que o .pt seja cada vez mais um ponto de entrada para um espaço sem fronteiras, ao mesmo tempo que levamos Portugal mais longe ao trazê-lo no nosso nome. Num ano em que atingimos recordes no registo de novos domínios, pretendemos assinalar este caminho de êxito e transmitir um sentimento de pertença a algo que nos distingue e identifica com orgulho: o pt”, explica a responsável.
A ideia é que o .pt seja o “ponto de partida” e não o final dos domínios, promovendo o que de melhor se faz em Portugal em todas as áreas. “É uma marca muito direta e vibrante, a nível visual e a nível de discurso, para que todos se possam orgulhar de pertencer a este lugar chamado .pt”.
Atualmente, o .pt conta com mais de 1,1 milhão de domínios registados e cresce mais do que a média europeia, ao posicionar-se sempre no top 5 dos países europeus com maior número de registos. O ano de 2018 conta já com mais de 80.000 domínios.














